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segunda-feira, 16 de março de 2015

Diferenças entre a educação informal, formal e não formal



Vamos descrever as características de cada uma, utilizando, somente, os diálogos da autora Gohn (2006), pois a autora explícita de forma clara e objetiva o que queremos transmitir (grifo das autoras).

1 Educação informal

 “Na educação informal, os agentes educadores são os pais, a família em geral, os amigos, os vizinhos, colegas de escola, a igreja paroquial, os meios de comunicação de massa, etc.”.; os espaços educativos são demarcados por sua nacionalidade, localidade, idade, sexo, religião, etnia etc.; sua moradia, a rua, o bairro, o condomínio, áreas de lazer que frequenta, sua igreja ou o local de culto a que se vincula sua crença religiosa, o local onde se nasceu, etc. Os ambientes são espontâneos, com direito a manter as relações sociais conforme os gostos, preferências, ou pertencimentos herdados.
 
A educação informal socializa os indivíduos, desenvolvem hábitos, atitudes, comportamentos, modos de pensar e de se expressar no uso da linguagem, segundo valores e crenças de grupos que se frequenta ou que pertence por herança, desde o nascimento. Trata-se do processo de socialização dos indivíduos (p.29).

 A educação informal não organiza os conhecimentos e nem existe um sistema, mas “são repassados a partir das práticas e experiência anteriores, usualmente é o passado orientando o presente”, atuando nas emoções e sentimentos, não sendo organizada por séries/ idade/conteúdos; trabalha e forma a cultura política de um grupo, cujo resultado é o “desenvolvimento do senso comum nos indivíduos, senso este que orienta suas formas de pensar e agir espontaneamente”.

2 Educação formal

Na educação formal o educador são os professores que trabalham em “instituições regulamentadas por lei, certificadoras, organizadas segundo diretrizes nacionais”; os ambientes têm normas, regras e padrões comportamentais a serem respeitados; seu maior objetivo é o ensino e a aprendizagem de conteúdos historicamente sistematizados, normatizados por leis, com intuito na formação do indivíduo como um cidadão ativo, desenvolvendo habilidades e competências, a criatividade, percepção, motricidade etc. Mas, acima de tudo “que haja uma aprendizagem efetiva (que, infelizmente nem sempre ocorre), além da certificação e titulação que capacitam os indivíduos a seguir para graus mais avançados”.
 
3 Educação não formal – relato complementar

 Na educação não formal, “o grande educador é o “outro”, aquele com quem interagimos ou nos integramos”; os espaços educativos estão além dos muros das escolas, em locais informais e oportuniza os processos interativos intencionais (a questão da intencionalidade é um elemento importante de diferenciação), porque os ambientes e situações compartilhados com o outro permite a construção do coletivo, na intencionalidade da ação, do ato de participar, de aprender e de transmitir ou trocar saberes. Influencia a capacidade dos indivíduos a conviver e a serem cidadãos do mundo, no mundo.

 Abrir janelas de conhecimento sobre o mundo que circunda os indivíduos e suas relações sociais é um dos conceitos importantes desta educação, construindo interativamente um modo de educar, surgindo como resultado do processo voltado para os interesses e as necessidades que participa e necessita se baseando nos princípios de igualdade e justiça social, e assim fortalecendo o exercício da cidadania, dando a transmissão de informação e formação política e sociocultural.

Porém há déficits que causam um rombo na efetivação educacional e dificulta, muitas vezes, a aprendizagem das crianças é a formação específica a educadores que compreendam claramente as funções e objetivos da educação não formal;

 Apesar da educação não formal apresentar alguns aspectos da educação formal, exemplificando a formação de um cidadão pleno, ela tem também a possibilidade de desenvolver alguns objetivos que lhes são específicos, como por exemplo, um conselho ou a participação na luta social, contra as discriminações e a favor das diferenças culturais etc.

Quando presente em programas com crianças ou jovens e adolescentes a educação não formal resgata o sentimento de valorização de si próprio (o que a mídia e os manuais de autoajuda denominam, simplificadamente, como a autoestima); ou seja dá condições aos indivíduos para desenvolverem sentimentos de autovalorização, de rejeição dos preconceitos que lhes são dirigidos, o desejo de lutarem para ser reconhecidos como iguais (enquanto seres humanos), dentro de suas diferenças (raciais, étnicas, religiosas, culturais, etc.)

 Faz se sentirem pertencentes a um lugar, construindo sua identidade coletiva do grupo (este é um dos grandes destaques da educação não formal na atualidade); fundamentando-se no critério da solidariedade e da identificação de interesses comuns.


4 A quem se destina a educação não formal


Cendales e Mariña (2006) descrevem que é necessário trilhar caminhos para alcançar propósitos efetivo para a educação, cujo fator crucial é a realização desta educação que conscientiza a população de risco ou marginalizada, como crianças de rua, mães que são chefes de família, moradores de bairros populares, indígenas, pessoas com AIDS, viciadas em drogas, imigrantes, jovens trabalhadores e outros. Além disso, atuam também em áreas especificas como saúde, alfabetização, formação cristã, atenção alimentar, teatro, música e outros. 

 Os mesmo autores ressaltam que dependendo da população em que esta sendo trabalhada, vários temas podem ser abordados, “com crianças de rua por  exemplo, podem-se realizar projetos de alfabetização, teatro, formação de profissional e etc”. Com um único público, vários objetivos podem ser alcançados, podendo o educador ter autonomia para abordar uma série de projetos vinculados a uma educação formadora. Os autores ainda descrevem, quando se trabalha determinados projetos outros públicos podem ser alcançados, por exemplo, o trabalho com jovens podem atingir mães de família, imigrantes e outros.

5 Espaços de realização da educação não formal.


 De acordo com Gohn (2003) a participação social da população, que trazia em seu contexto a educação não formal, teve seu início a partir dos movimentos sociais. Com a diminuição desses movimentos foi “proporcionado o surgimento e crescimento de redes de Organizações Não-Governamentais (ONGs)” que tinha como objetivo o “trabalho em parceria com as populações pobres ou fora do mercado de trabalho”.
 
 Esses trabalhos, ou melhor, essa educação pode ser realizada em diversos espaços educacionais ou não, sendo assim a educação não formal intitulada de terceiro setor, formada, conforme Barros e Santos, “por fundações, entidades beneficentes, fundos comunitários, entidades sem fins lucrativos, empresas com responsabilidade social, enfim, as denominadas ONGs”, sendo elas a formadora de “ambientes alternativos de educação, os quais constituem uma área diferente da atuação do pedagogo”. 
                                                                            
 A expressão ONG foi criada pela ONU na década de 1940 para designar entidades não oficiais que recebiam ajuda financeira de órgãos públicos para executar projetos de interesse social, dentro de uma filosofia de trabalho denominada “desenvolvimento de comunidade” (GONH, 1997, p. 54, apund SANTOS e BARROS, p. 02).
                                                                                                               
 É preciso compreender que há uma diferença entre movimentos sociais e organizações. Gonh (2003) descreve que as ONGs “precisam ter sistemas de relações internas informais”, ou burocracia, “ser no mínimo eficiente”, preocupando-se com tempo de atuação e ter um “cotidiano continuo”, prestando conta de todo o seu serviço para o órgão que a financia, seguindo todas as normas estabelecidas pelo mesmo. Além disso, diz a autora “ela ocupa o locus do chamado comunitário, público privado, ou o público não estatal”. 
 
Entidades, por excelências, procuradas para servir de mediadoras nas politicas de parcerias, ou seja, politicas que articulam o governo e a comunidade organizada. Entendemos que a questão da modernidade é histórica. Cada época elabora seu sistema de modernidade. Ser moderno neste final de século é ser um misto do novo e do antigo; é unir valores humanos com a técnica e a racionalidade cientifica, é pensar no coletivo sem esquecer o individuo. As ONGs desenham este perfil (GONH,2003,p.64).     
 

6 A educação não formal e o educador social

     
 De acordo com a LDB de 96 a formação dos profissionais da educação tem como finalidade atender os objetivos de diferentes etapas de modalidades de ensino. Desde então, a formação do educador tem em seus objetivos sua atuação em “comunidades organizadas, onde as práticas educativas estão presentes e ele é um elemento estratégico nas ações coletivas da educação não formal” (GOHN, 2010, p.50).
      
 A autora continua descrevendo que o educador social deve ser um incentivador social do grupo em que trabalha, porém, para que o seu trabalho seja “ativo, propositivo e interativo” ele deve buscar desafiar o seu grupo na medida em que estão construindo o conhecimento. Por exemplo, na construção de determinados “textos (escritos, falados, gestuais, gráficos, simbólicos e etc.)” deve-se buscar mecanismo de aprendizagem que desafiem o seu aluno tirando-o da sua zona de conforto e leve-os a participar da aula ativamente. Por isso, continua o autor, os educadores sociais são importantes para potencializar e desenvolver o processo participativo com qualidade de seus educandos.
 
Portanto, continua o mesmo autor, seguindo a pedagogia de Paulo Freire o trabalho do educador social se resume em três partes distintas: conhecer os problemas e as necessidades de seus educandos, esclarecimento da sua proposta de trabalho e os processos de desenvolvimento da participação do grupo ou da própria comunidade em que esta sendo trabalhada.
    
 Neste processo o educador ensina e aprende com seus educandos. Gohn (2010) nesta direção lembra que a comunicação é uma ferramenta de grande importância nesse processo, porém, o que é “primordial é a sensibilidade para entender e captar a cultura local, do outro, do diferente, do nativo daquela região”.
 
O papel do educador social é valorizar os saberes anteriores dos alunos comparando com os saberes locais, momentâneos ou não, buscando assim desenvolver um trabalho em conjunto com seus educandos. “Nos territórios em que há o trabalho do (a) educador (a) social com a comunidade, se poderá construir ou reconstruir o tecido social existente, bastante fragmentado na atualidade” (GOHN, 2010, p. 55).

 Conclui-se que estas diferenças educacionais apresentadas neste trabalho nos leva a reconhecer a diversidade de educação e como pode ser ampliado o agir da sociedade e o nosso agir, principalmente, como pedagogo.
 
Não há nenhuma intenção em dizer que a educação formal deva ser instinto ou fazer dela algo tenebroso a ponto de nos causar repúdio, enaltecendo a educação não formal como a única forma adequada de educação, mas sabermos identificar que há diferenças na atuação e formação. O que verdadeiramente importa (e queremos muito, muito acreditar nisto) é que as pessoas que se dispõem a atuar na educação não formal realmente se importem em ajudar as pessoas que estão à margem da sociedade.

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