segunda-feira, 16 de março de 2015

AS DOENÇAS DA OBESIDADE



Doenças patológicas

   Viuniski (2005) ressalta que a obesidade é considerada problema de saúde pública, assim como uma epidemia. O mesmo autor ainda descreve, que há trinta anos o maior agravo para a saúde pública eram as doenças infecto contagiosas, mas foi superada por outras doenças como a diabetes, colesterol, problemas cardiovasculares e a pressão alta.

Estas doenças patológicas “apresentam relação direta com um transtorno metabólico em comum: o excesso de peso. O problema fica ainda mais preocupante quando analisamos a escalada da obesidade na população infantil” (VIUNISKI, 2005).


3.2.1 Diabetes
 
Crianças que atingirem a maioridade em estado de obesidade terão 22 vezes mais chance de desenvolverem Diabetes tipo II comparadas com as de peso adequada. (VIUNISKI, 2005. P. 97) E ainda alerta, “se não evitar o sobrepeso e a obesidade nas crianças”, boa parte delas estará propensa ao infarto e derrames.

 A Diabetes Melitus, descrita por Meretka et al (2006), é o excesso de açúcar no sangue, causando lesões em vários órgãos, tecidos e os vasos sanguíneos e é mais comum o obeso adquirir a doença do que os magros.

 Os sintomas que os diabéticos apresentam é a fadiga, sede em excesso, visão borrada, aumento da micção e outros. A descrição da “palavra Melitus vem de mel, pois na Idade Média os cientistas descobriram que a urina desses doentes tinha sabor de mel” (VIUNISKI, 2005).
  
 
“Que os obesos têm mais ataques do coração que os magros, já era do conhecimento de Hipócrates, o pai da medicina, há 5 séculos antes de Cristo” confirmou Viuniski (2005) e continua dizendo que a obesidade provoca infarto agudo do miocárdio e derrames cerebrais do que a população em geral.
 
Os causadores dos distúrbios cardiovasculares é o excesso de gordura, Borges, Viana e Rezende (2003), descrevem que no Brasil, os principais fatores de causa morte são as doenças cardiovasculares advindas pelo excesso de peso, da pressão alta, do diabetes e do tabagismo.
A Organização Mundial de Saúde prevê que a elevação do quadro de morbidade e mortalidade relacionadas a doenças cardiovasculares em países em desenvolvimento tende a persistir, o que requer medidas de prevenção no intuito de se evitar uma epidemia de doenças cardiovasculares (BORGES; VIANA; REZENDE, 2003).

 Borges, Viana e Rezende (2003) continuam a descrever que, devido à obesidade, o rendimento dos batimentos cardíacos aumenta, sobrecarregando o miocárdio, para suprir as necessidades metabólicas corporais, causando a insuficiência cardíaca, cuja principal complicação é à morte.

3.2.3 Hipertensão
 
Viuniski (2003) descreve a transição, por pressão, que o sangue faz em nosso corpo, sendo duas formas: sistólica, quando se verifica o momento em que o coração bombeou o sangue e a diastólica, quando o sangue volta para o músculo cardíaco.
 
Ainda o mesmo autor (2003), quando a pressão arterial sobe, o coração pulsa mais rápido fazendo com que os grandes vasos bombeiem mais sangue pelo organismo. O autor continua descrevendo:
 Na mesma proporção aumentam os riscos de ataques cardíacos, derrames cerebrais e insuficiência cardíaca. Mais de 25% dos pacientes obesos e hipertensos vão apresentar algum problema vascular cerebral ou cardiovascular cerebral ou cardiovascular, num período de 7 anos após o diagnóstico (VIUNISK, 2003, p.101).

Mudança no estilo de vida e alimentar é o primeiro passo para a prevenção ou controle, conforme o mesmo autor, diminuindo a ingestão de sal, perder peso ou evitar o sobrepeso, redução do estresse, evitar o fumo, bebidas alcoólicas e cafeína.

 Figura: Lesões vasculares nas pernas (varizes) - Obesidade. DÂMASO, Ana (Org.), 2003, Pranchas coloridas.




A concentração de gordura em algumas regiões do corpo como nas pernas, por exemplo, ligada ao peso, explica Viniuski (2005), induz uma dilatação nos vasos sanguíneos, o que pode causar risco de entupimento ocasionando pelo acúmulo de gordura na parede das artérias, levando o aparecimento de varizes e em alguns casos, tromboses.

3.2.5 Desordem do sono
 
Pausas respiratórias seguidas e à queda na saturação do oxigênio do organismo é caracterizada por síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) e conforme Faria e Kochi (2012), “acomete de 0,7% a 3% das crianças e adolescentes obesos” e aumentam o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares futuras. Os mesmos autores descrevem os sintomas noturnos como:
[...] roncos (presentes em 90% a 95% dos casos), pausas respiratórias, sono agitado e com múltiplos despertares, hábito de dormir em posição de hiperextensão cervical e sudorese. Sintomas diurnos: respiração oral, sonolência excessiva, cefaleia matinal, déficits neurocognitivos, alterações de comportamento, sintomas depressivos e ansiedade.

 Viniuski (2005) relata que as crianças obesas que sofrem da desordem do sono, ficam desatentas ou muito agitadas, apresentando menor rendimento de aprendizagem e aumenta riscos de acidentes.

3.2.6 Aumento de riscos cirúrgicos

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), em 11 de outubro deste ano, informou que o Ministério da Saúde (MS) estabeleceu “a idade mínima para as pessoas que precisam de uma cirurgia bariátrica em casos que há risco de vida do paciente – de 18 passou para 16 anos”. Informa ainda que para que o paciente seja contemplado à cirurgia, deve antes ser avaliado e acompanhado por uma equipe multidisciplinar durante dois anos, realizar uma dieta e praticar atividades físicas.

 “De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida tem como finalidade ampliar o acesso e dar mais qualidade à cirurgia bariátrica, uma vez que será aprimorado o que já existe no Sistema Único de Saúde (SUS) nessa questão” (ABESO, 2012).  Mas a intensão do Ministério da Saúde, conforme a ABESO, é fortalecer ações que previnam a obesidade, incentivando a melhoria e mudanças dos hábitos de vida, da alimentação mais saudável e à prática de exercícios físicos regulares da população.

3.2.7 Cutâneas

 Rodrigues (2010) descreve o aumento na produção sebácea, como efeitos da obesidade na pele, em que a incidência de acnes cresce, assim como os pelos, as glândulas sudoríparas irritando a pele por causa do atrito da gordura, produzindo mais suor devido às “grandes pregas cutâneas”, perda do colágeno, a cicatrização, a gordura subcutânea. 
Figura: Irritação na pele por atrito da gordura abdominal com a região pélvica -Obesidade. DÂMASO, Ana (Org.), 2003, Pranchas coloridas

Entre as várias morbidades que a obesidade apresenta, as doenças cutâneas são muito prevalentes, apresentam alta morbidade e são frequentemente negligenciadas. Há necessidade de maior atenção médica para os aspectos dermatológicos e maior integração entre endocrinologistas e dermatologistas (RODRIGUES, 2010). 

 A mesma autora diz que o acúmulo de pele e gordura (dobras cutâneas), em obesos, situadas nas mamas, nádegas, abdome e coxas, causam maior tensão provocando infecção fúngica, celulite e principalmente as estrias.

            Figura: Estrias no tronco - Obesidade. DÂMASO, Ana (Org.), 2003, Pranchas coloridas. 

3.2.8 Ortopédicos

 Lamounier e Weffort (2012) afirmam que a obesidade causa deformidade nas pernas, os joelhos encostam um no outro enquanto os tornozelos se separam, formando um X. Podem ocorrer lesões graves, inflamatórias, provocando dores intensas no quadril e nos joelhos, os quais especificam:
As alterações ortopédicas em indivíduos com obesidade decorrem, principalmente, da modificação do eixo de equilíbrio habitual, a qual resulta em aumento da lordose lombar, com protrusão do abdome e inclinação anterior da pelve, em cifose torácica e em aumento da lordose cervical. Com a evolução do quadro, surgem encurtamentos e alongamentos excessivos, que em combinação com a inclinação anterior da pelve levam à rotação interna dos quadris e ao aparecimento do joelho valgo (ou genu valgum) e dos pés planos (LAMOUNIER; WEFFORT, 2012).






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