segunda-feira, 16 de março de 2015

AS DOENÇAS PSICOLÓGICAS DA OBESIDADE



Aspectos emocionais causados pela obesidade

 A obesidade é uma das alterações mais negativa que ocorre no corpo, causando distúrbios físicos e psicológicos, “havendo a necessidade de uma abordagem multidisciplinar do problema”, pois os aspectos psicológicos cria uma pressão relacionada a diversos fatores e a aparência física é uma delas (CATANEO et al. 2005).

 Para obter amigos, crianças obesas, apresentam comportamentos de baixa autoestima, sendo mais generosa que o normal, chamam a atenção com atitudes cômicas para serem bem aceitas pelas outras crianças ou mostram sinais de “insegurança, insatisfação consigo mesmas, sinais de agressividade e outras” (MELLO; CARAMASCHI, 2010).
 No que diz respeito às crianças obesas, [...] são mais regredidas e infantilizadas; tendo dificuldades de lidar com suas experiências de forma simbólica, de adiar satisfações e obter prazer nas relações sociais, de lidar com a sexualidade, além de uma baixa autoestima e dependência materna (CATANEO et al. 2005).

 Por descrição de Cataneo (2005) para o obeso, comer, provoca a sensação de tranquilidade e alívio para a angústia, causados pelas próprias barreiras para evitar contato com outras pessoas, isolando-se e apresentando “dificuldades de lidar com a frustração e com os limites”.


A mídia propõe corpos bem feitos e magros como garantia de sucesso. No obeso, isto pode gerar distorções psicológicas, baixa autoestima, humilhações, discriminação e preconceitos, que pode ser observado no dia a dia escolar, deixando a criança com a sensação de vulnerabilidade, medo, vergonha, podendo ficar deprimidos e sem forças emocionais (COZER; PISCIOLARO, 2012).

 O bullying é um problema encontrado no mundo todo e contamina o ambiente escolar, Fante (2005) descreve este fenômeno:
Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.
 
Cozer e Pisciolaro (2012) descrevem as crianças obesas como alvo frequente para o bullying, causando ansiedade excessiva e alterações no comportamento, o que pode acarretar transtornos alimentares.
 

3.3.2 Transtornos alimentares

 
Vários fatores causam os transtornos, Cozer e Pisciolaro (2012) citam como exemplos a “tendência à obesidade, eventos adversos (abuso sexual, perdas importantes, bullying), genética, padrão familiar e fatores socioculturais (padrões de beleza rígidos, culpa ao se alimentar etc.)”.
Dos fatores precipitantes ao desenvolvimento dos transtornos alimentares, ou seja, que marcam o início do transtorno podemos verificar que a prática de dietas é o fator isolado de maior evidência. As dietas levam ao estado de fome, diminuição do metabolismo, aumento da eficiência no armazenamento de energia – que leva a maior ganho de peso por cada caloria consumida, diminuição na taxa de perda de peso a cada dieta, aumento na taxa de reganho de peso, além de causar letargia, irritabilidade, e obsessão pela comida.

3.3.3 Bulimia

 Pessoas com distúrbios bulímicos costumam comer exageradamente, para depois provocar o vômito e a diarreia, por meio de laxantes. Estes procedimentos são para evitar o aumento de peso ou para esvaziar o estômago (HABITANTE; GUIMARÃES; DÂMASO, 2001).
 
Ainda os mesmos autores descrevem as causas psicológicas como culpa por comer demais e por esconder dos demais a compulsão pelo vômito, o que resulta em complicações físicas como lesões nos dentes, irritação, como também inflamação, na garganta e sangramento retal, devido aos usos constantes de laxantes.
  
 
O crescente número da depressão infantil tem levantado questões, “durante muito tempo acreditou-se que as crianças raramente apresentavam depressão” (LUIZ et all, 2005), mas alguns estudos apresentam que “transtornos depressivos também surgem durante a infância e não apenas na adolescência e na vida adulta”.

“A autoestima pode ser caracterizada como um juízo pessoal que a pessoa tem sobre si e expressa repulsa ou aprovação sobre si. Caso seja depreciada, pode estar relacionado à depressão, suicídio, ansiedade e sentimentos de inadequação” (COZER; PISCIOLARO, 2012).

 Alguns sintomas indicam o estado depressivo da criança, como tristeza, irritação e agressividade frequente, Luiz et all (2005) descrevem que:
 As súbitas mudanças de comportamentos nas crianças, não justificadas por fatores estressantes, são de extrema importância para justificar um diagnóstico de transtornos depressivos. Os sintomas depressivos podem interferir na vida da criança de maneira intensa, prejudicando seu rendimento escolar e seu relacionamento familiar e social.

 Andriola e Cavalcante (1999), concluem ser importante a ajuda de psicólogos, “diante da suspeita de depressão, pois, se confirmado o diagnóstico, o mesmo poderá estar relacionado a problemas emocionais graves, que necessitam de um tratamento mais complexo”.

BIBLIOGRAFIA
CATANEO, C; CARVALHO, A. M. P; GALINDO, E. M. C. Obesidade e aspectos psicológicos: maturidade emocional, autoconceito, lócus de controle e ansiedade.  Psicol. Reflex. Crit. Porto Alegre, v.18, n. 1, Apr.  2005. Disponível em: www.scielo.br. Acesso em: 13/10/2012.


COZER, C; PISCIOLARO, F. Etiologia dos Transtornos Alimentares. Revista da ABESO - Ano XII - Nº 59 - Setembro/2012 Disponível em: http://www.abeso.org.br/pdf/revista59/alimentacao.pdf  Acesso em 26/10/12

HABITANTE, A. C; GUIMARÃES, A. F; DÂMASO, A. R. Balanço energético e controle de peso. In: DÂMASO, Ana R. Nutrição e exercício na prevenção de doenças. Medse: Rio de Janeiro, 2001. Cap. 6 p. 169

LUIZ, A. M. A. G. et al . Depressão, ansiedade e competência social em crianças obesas. Estud. psicol. (Natal),  Natal,  v. 10,  n. 1,  2005.   Disponível em: www.scielo.br/scielo. Acesso em 30/10/12.

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